Água termal para articulações e dores de costas: o que declaram 125 termas europeias — e o que há realmente na água

4 min de leitura

Um tanque termal imóvel ao amanhecer, com vapor a subir sobre a água na direção da colunata de uma antiga casa de banhos. Não há ninguém a banhar-se.

Quem procura termas com as costas doridas encontra em todo o lado a mesma frase: a água é usada em queixas articulares e reumáticas. Raramente se percebe quem o está a dizer. Às vezes uma autoridade que analisou a nascente e emitiu um reconhecimento. Às vezes uma agência que nunca viu a análise.

Este artigo separa as duas coisas. Contámos todos os estabelecimentos do catálogo cujo operador declara uso para o aparelho locomotor, queixas reumáticas ou recuperação após lesão — e depois fomos ver o que esses mesmos operadores publicam sobre a água.

O que contámos

125 termas em doze países. Um estabelecimento pode declarar mais do que uma indicação, pelo que a soma das partes ultrapassa o total:

O que declara o operadorTermas
Nomeiam o aparelho locomotor — articulações, costas, músculos101
Nomeiam expressamente as queixas reumáticas60
A recuperação após lesão22

A par disso, as mesmas 125 termas declaram muitas vezes outros usos: 39 circulatórios, 32 dermatológicos, 19 ginecológicos, 14 respiratórios, 8 digestivos. Um estabelecimento que enumera oito indicações diz algo diferente de outro que declara duas, e vale a pena reparar em qual se está a ler.

Onde estão

PaísTermas
Hungria42
Alemanha34
Eslováquia15
França14
Áustria5
Eslovénia5
Polónia3
Itália, Croácia2 cada
Suíça, Bósnia e Herzegovina, Portugal1 cada

Esta distribuição não mostra onde há água termal. Mostra onde os operadores põem por escrito para que serve a sua água — questão de regulação nacional e de hábito. A Hungria e a Eslováquia mantêm há muito registos de águas medicinais, e o seu público está habituado a consultá-los. A Itália tem água termal em abundância e, precisamente desta forma, fala muito menos dela.

A única distinção que conta

67 das 125 têm uma declaração oficial de água mineromedicinal. É um estatuto jurídico atribuído por uma autoridade, não um adjetivo que um estabelecimento escolha para si.

Em Portugal e Espanha a figura é a declaração de água mineromedicinalagua mineromedicinal —, que reconhece a composição da nascente.

Na Hungria a designação gyógyvíz é atribuída pela autoridade de saúde nacional; sem ela a palavra não pode ser usada.

Na Alemanha o equivalente é Heilwasser, autorizado ao abrigo da legislação do medicamento.

O que a declaração atesta é uma composição estável, medida e conforme a um padrão definido. É uma afirmação sobre a água, não uma prescrição. As restantes 58 podem ter água quimicamente indistinguível: simplesmente não passaram pelo procedimento, ou o seu país não tem nenhum.

O que há realmente na água

No conjunto das 125, os componentes dominantes que as suas próprias análises nomeiam:

ComponenteTermas
Enxofre39
Sódio34
Hidrogenocarbonato29
Cloreto24
Ferro23
Fluoreto20
Cálcio17
Iodo16
Magnésio13
Rádon4

O enxofre lidera — e quem alguma vez entrou numas termas e estranhou o cheiro já o encontrou: sulfureto de hidrogénio, que o nariz humano deteta muito abaixo de qualquer concentração quimicamente relevante.

Apenas 18 das 125 publicam uma mineralização total, que é o número que permitiria comparar duas águas. Entre elas o intervalo vai de 594 mg por litro a 11 000, um fator de dezoito: a diferença entre uma água fracamente mineralizada e uma salmoura. A Naturtherme Bedernau, na Baviera, ocupa o extremo baixo; o húngaro Zsóry, em Mezőkövesd, declara 3 890, e Túrkeve, na Grande Planície, 4 192.

Temperatura: mais fresca do que se pensa

67 estabelecimentos publicam a temperatura do tanque. A mediana é 37 °C — a temperatura do corpo, o ponto em que a água deixa de se sentir. O intervalo vai de 26 a 45 °C.

A temperatura do tanque em geral não é a da nascente. A água chega quente e é arrefecida:

Les Bains de Lavey, na Suíça, extrai de 1 600 m água a 67 °C e mantém os tanques a 45 °C — o valor mais alto deste conjunto, a par de Tölgyes Strand na Hungria.

A Schwaben Therme de Aulendorf capta 55 °C a 1 200 m e mantém os tanques entre 28 e 40 °C.

Virágfürdő, em Kaposvár, extrai 56 °C de um furo de 1 050 m e arrefece até 28–38 °C.

No outro extremo, Kabai Városi Gyógyfürdő funciona a 26 °C — fresco ao ponto de a maioria falar em piscina, e ainda assim com água reconhecida como medicinal.

Como ler uma declaração antes de viajar

  1. Procure o termo protegido, não o adjetivo. Mineromedicinal, gyógyvíz e Heilwasser são regulados. «Curativa», «terapêutica» e «wellness» não são.
  2. Pergunte o que contém. Quem publica a análise tem-na. Quem publica apenas adjetivos pode ser excelente, mas está a ler a sua publicidade e não a sua água.
  3. Separe a temperatura do tanque da da nascente. Uma nascente a 60 °C fala de geologia. No tanque entra você.
  4. Conte as indicações declaradas. Duas ou três, coerentes com a composição, são outra coisa que uma lista de nove.
  5. Veja de quando são os números. Preços e horários mudam a cada estação; a análise não — mas a página que a aloja pode ter dez anos.

O que este artigo não diz

Se alguma coisa disto resulta. Não examinámos um único banhista, e nenhuma contagem de termas é um achado sobre um corpo. A balneoterapia nas queixas do aparelho locomotor tem literatura científica séria, é genuinamente discutida, e não é aquilo sobre que este catálogo se pode pronunciar.

O que podemos dizer com precisão é o que declaram 125 operadores, o que contêm as suas análises publicadas e quais deles possuem um reconhecimento emitido por uma autoridade. Para escolher entre duas termas com as costas doridas, é terreno firme — o resto pertence a uma conversa com um médico que o tenha visto.